
Em Gramado, poucas imagens são tão marcantes assim como, os grandes buquês de hortênsias azuis acompanhando ruas, jardins e caminhos arborizados. A flor se tornou parte da paisagem afetiva da cidade, ajudando a construir a identidade de um destino conhecido pelo cuidado com os detalhes, pela natureza e pela hospitalidade.
Mas as hortênsias em Gramado não são apenas um belo cenário para fotografias. Elas carregam histórias sobre o desenvolvimento do turismo, revelam curiosidades da botânica e mudam de aparência conforme as características do solo. Conhecer essa trajetória torna o passeio pela cidade ainda mais especial.
A flor que ajudou a contar a história de Gramado
A espécie mais associada aos jardins gramadenses é a Hydrangea macrophylla, um arbusto ornamental originário do Japão e adaptado a regiões de clima temperado. Em Gramado, encontrou condições favoráveis para se desenvolver: temperaturas mais amenas, umidade e áreas com luz filtrada entre árvores e jardins.
Segundo a história resgatada pelo Projeto Hortênsias, as primeiras mudas chegaram à cidade em 1918, trazidas do Rio de Janeiro pelo casal Osvaldina e João Leopoldo Lied, portanto a planta se espalhou pelos jardins das casas, caminhos e espaços públicos, tornando-se uma presença cada vez mais ligada ao cotidiano local.
Em 1958, a criação da Festa das Hortênsias fortaleceu ainda mais esse vínculo. O evento é lembrado como um dos marcos do início da vocação turística de Gramado, anos antes de a cidade alcançar a projeção nacional que possui hoje. Posteriormente com o tempo, a hortênsia passou a aparecer no imaginário, nas fotografias e até nos símbolos oficiais do município.
Atualmente, a Lei Orgânica de Gramado reconhece a hortênsia como flor símbolo da cidade. O próprio brasão municipal traz ramos da planta e a inscrição “Gramado, Jardim das Hortênsias”, mostrando como a flor deixou de ser apenas ornamental para se tornar parte da identidade gramadense.

A ciência por trás das cores
Uma das maiores curiosidades das hortênsias é a possibilidade de mudança de cor. Em algumas variedades de Hydrangea macrophylla, a tonalidade das flores depende da acidez do solo e da disponibilidade de alumínio para a planta.
Quando o solo é mais ácido e o alumínio está disponível, as flores tendem a apresentar tons azuis. Próximo da neutralidade, podem surgir nuances lilases ou arroxeadas. Já em solos alcalinos, os buquês costumam ficar rosados. Essa relação explica por que plantas da mesma espécie podem ter cores diferentes mesmo em jardins próximos.
A regra, porém, não vale igualmente para todas as hortênsias. Variedades brancas, vermelhas ou verdes podem manter sua coloração independentemente do pH. Além disso, genética, idade das flores, nutrientes e condições climáticas também interferem no resultado final.
Outro detalhe curioso é que aquilo que parece ser uma única flor redonda é, na realidade, uma inflorescência: um conjunto formado por muitas flores pequenas. Essa estrutura cria os grandes buquês que tornam a planta tão fotogênica.

Onde admirar as hortênsias em Gramado
As flores aparecem em diferentes áreas da cidade, mas alguns pontos combinam especialmente bem com um passeio contemplativo:
Lago Negro: os caminhos arborizados e a vegetação ao redor do lago criam um dos cenários mais bonitos para observar hortênsias e fazer fotografias durante a floração.
Avenida das Hortênsias: além de carregar a flor no nome, a avenida conecta importantes regiões de Gramado e reúne jardins, hotéis, restaurantes e paisagens urbanas ao longo do trajeto.
Igreja do Relógio: o roteiro oficial de caminhada de Gramado descreve o templo luterano sobre um “bouquet de hortênsias”, formando um dos cartões-postais da cidade.
Estradas e bairros arborizados: durante o verão, é comum encontrar grandes conjuntos de hortênsias em vias de acesso, jardins residenciais e caminhos que ligam Gramado a cidades vizinhas.
Jardins dos hotéis: diferentes empreendimentos aproveitam o clima da Serra Gaúcha para manter áreas verdes que aproximam os hóspedes da paisagem local.
Curiosidades sobre as hortênsias
- O nome Hydrangea vem de palavras gregas ligadas a “água” e “recipiente”, uma referência ao formato das cápsulas que guardam as sementes.
- A Hydrangea macrophylla é um arbusto de folhas largas e pode ultrapassar um metro de altura quando encontra boas condições.
- A floração em Gramado, de maneira geral, começa entre novembro e o início do verão, costuma atingir seu auge em dezembro e janeiro e pode continuar até fevereiro ou março.
- Muitas hortênsias florescem em ramos formados no ciclo anterior. Por isso, podas feitas na época errada podem reduzir a floração seguinte.
- A planta prefere solo úmido e bem drenado. Sol intenso e terra muito seca podem queimar folhas e prejudicar as flores.
- Gramado possui uma data dedicada à sua flor símbolo: 7 de julho é celebrado como o Dia da Hortênsia.
Um convite para observar Gramado com mais calma
As hortênsias ajudam a lembrar que Gramado também pode ser descoberta nos pequenos detalhes. Entre um passeio e outro, vale diminuir o ritmo para observar as mudanças de cor, os jardins e os caminhos que guardam parte da história da cidade.
Hospedar-se com conforto torna esse roteiro ainda mais agradável. Os Hotéis Fioreze oferecem diferentes maneiras de viver Gramado, sempre com o mesmo cuidado familiar bem como: perto do centro, em meio à natureza, em chalés ou em uma experiência mais intimista.
Planeje sua próxima viagem, escolha o hotel que mais combina com você e venha descobrir as paisagens de Gramado em cada estação.
Viva Gramado com a Família Fioreze:
Conheça os Hotéis Fioreze
Fontes consultadas
- Projeto Hortênsias, Festuris Gramado (história de 1918, Festa das Hortênsias de 1958 e plantios recentes)
- Lei Orgânica do Município de Gramado (hortênsia como flor símbolo)
- Visit Gramado — História da cidade
- Visit Gramado — Roteiro Gramado a pé
- Royal Horticultural Society — características, cultivo e variação de cor das hortênsias
- Plants of the World Online, Kew — origem e distribuição de Hydrangea macrophylla


